Imersão no Canadá: desafios e oportunidades locais e globais 

O segundo dia da Experiência Imersiva em Seguros e Tecnologia, promovida pela Escola de Negócios e Seguros (ENS), no início de setembro, ampliou o olhar dos 27 participantes sobre o mercado canadense. 

A terça-feira, 8 de setembro, reservou à delegação visita às modernas instalações da Humber Polytechnic Downtown, em Toronto, instituição parceira da ENS na realização da imersão. No local, o grupo foi recebido pelo head do Programa de Seguros, John McNeil, e pelo gerente de Operações, Jorge Montoya. 

Autoridades prestigiam 

A programação contou com a presença do vice-cônsul geral do Brasil em Toronto, Leonardo de Almeida Enge, e do diretor da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (BCCC na sigla em inglês), Michael Kennedy. Os executivos reforçaram a importância de aproximar os ecossistemas dos dois países, especialmente diante das rápidas transformações tecnológicas e regulatórias que a indústria de seguros vivencia. 

Para os dois líderes, missões internacionais como a promovida pela ENS contribuem para conectar ideias, fortalecer relações e transformar a troca de conhecimentos em oportunidades concretas para setores como os de educação, tecnologia e financeiro. 

Ronny Martins, gerente de Produtos da ENS responsável pela concepção das imersões internacionais, presenteia Michael Kennedy com obra de Portinari

Mercado maduro 

John McNeil, por sua vez, apresentou um panorama do setor de seguros canadense, o qual definiu como “maduro e altamente regulado”. Entre as principais transformações locais, destacou a forte movimentação de fusões e aquisições (M&A), tanto entre seguradoras quanto entre corretoras. 

Segundo ele, empresas que antes eram pequenas passaram a integrar grandes redes, dando origem aos chamados super-brokers, casos das corretoras Navacord, Marsh, BrokerLink e Gallagher, que figuram entre os principais grupos de intermediação do Canadá. 

Apesar do intenso movimento de M&A, os corretores autônomos (pessoa física) continuam com grande participação no mercado, respondendo, por exemplo, por 58% dos seguros pessoais de Property & Casualty (P&C). “Temos cerca de 50 mil corretores no Canadá, mas eles seguem se agregando em redes maiores”, explicou o especialista. 

Clima, talentos e regulação 

Os eventos climáticos extremos também estão entre os principais desafios do setor de seguros canadense. Enchentes, tempestades e incêndios florestais, como o ocorrido em Fort McMurray, em 2015, uma das maiores catástrofes da história no Canadá, provocaram perdas da ordem de 8,6 bilhões de dólares canadenses, pressionando seguradoras e corretores. 

Outro desafio apresentado foi a chamada “crise de talentos”. Segundo McNeil, 27% dos profissionais da indústria canadense estão próximos da aposentadoria, percentual que chega a 35% entre aqueles em posições de liderança. 

Por fim, McNeil detalhou particularidades da regulação canadense e da relação entre bancos e seguros (bancassurance). O Bank Act estabelece que, quando bancos comercializam seguros, a operação deve funcionar de forma separada, inclusive fisicamente, regra acompanhada de perto pelos corretores. 

Automação na corretagem 

Fechando a manhã, o vice-presidente da corretora de seguros Brown & Brown, Neville Harriman, mostrou como IA e automação vêm sendo incorporadas a diferentes etapas da operação em sua empresa, desde a subscrição e emissão de apólices até a gestão de sinistros, prevenção a fraudes e retenção de clientes. 

Para Harriman, o avanço tecnológico tende a aumentar a eficiência e reduzir custos, mas também produzirá mudanças em processos e funções dentro das organizações. Ao mesmo tempo, consumidores mais exigentes e a crescente exposição a riscos climáticos demandam produtos e coberturas capazes de acompanhar uma realidade em transformação. 

Neville Harriman

IA sustentável 

A programação da tarde trouxe alertas sobre os riscos do uso da tecnologia sem supervisão e critérios claros. As reflexões foram feitas por Mark Abrahams, CEO da RIBO (Registered Insurance Brokers of Ontario), que discutiu ética, regulamentação e governança no uso da IA. 

Mark Abraham, de paletó branco; a diretora da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor), Gianni Moreira, participante da imersão no Canadá; Ronny Martins e Jorge Montoya

Uma mensagem ficou clara: quanto maior a capacidade tecnológica, maior também a responsabilidade sobre seu uso. Transparência, proteção ao consumidor, supervisão humana e accountability são elementos centrais para que a inovação avance de forma sustentável. 

Um dos pontos destacados foi o risco de reprodução de vieses: como sistemas de IA aprendem a partir de dados históricos, distorções presentes nesses dados podem ser reproduzidas em escala e incorporadas aos processos das organizações. 

Abrahams também se mostrou preocupado com as chamadas “alucinações da IA”, quando sistemas apresentam informações falsas. O CEO lembrou que esse tipo de ocorrência já provocou problemas em diversos segmentos, como o Jurídico. 

Diante desse cenário, o CEO da RIBO reforçou a importância do princípio “human in the loop”, segundo o qual a tecnologia pode apoiar decisões, mas a responsabilidade final deve permanecer com as pessoas. 

Jantar na CN Tower 

Ao final do dia, os participantes confraternizaram em um jantar no 360 The Restaurant, localizado na CN Tower, uma das atrações mais famosas de Toronto, com mais de 350 metros de altura e vista panorâmica de toda a cidade. 

Vista do anoitecer de Toronto

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