
A programação do 6º Congresso dos Corretores de Seguros do Norte e do Nordeste abriu espaço para discussões sobre tecnologia e transformação digital no mercado de seguros.
Em sua Sala de Negócios, a Escola de Negócios e Seguros (ENS) contou com professores e especialistas convidados para conduzirem cinco palestras e um painel, todos voltados ao uso da Inteligência Artificial (IA) na rotina das corretoras e às oportunidades de inovação para os profissionais da intermediação.
IA como aliada do corretor
A apresentação inaugural do primeiro dia do congresso foi conduzida pelo professor Weslley Oliveira. Especialista em tecnologia, o mineiro abordou o tema “Agente de IA: o novo funcionário do corretor”.
O docente provocou uma reflexão sobre o papel da IA na rotina das empresas e como essa tecnologia pode transformar a atuação dos profissionais do setor. “O corretor de seguros precisa se adaptar para atuar com mais eficiência e aproveitar as oportunidades que essas ferramentas de tecnologia oferecem”, afirmou.
Oliveira lembrou que a IA não deve ser vista como substituta do profissional, mas como uma ferramenta capaz de assumir tarefas operacionais que consomem tempo no dia a dia. “A Inteligência Artificial não veio para substituir o corretor, ela veio para substituir tarefas, e isso muda tudo”, destacou.
O especialista mostrou como agentes de IA podem assumir e apoiar tarefas como leitura e análise de apólices, conferência de coberturas e exclusões, atendimento inicial ao cliente, geração de propostas e organização de dados e processos.
“A automação dessas atividades permite que o corretor concentre sua atuação no que realmente gera valor para o cliente, o aconselhamento especializado, a construção de relacionamentos e a oferta de soluções adequadas de proteção. O futuro do seguro não será apenas tecnológico, será humano e inteligente”, concluiu.



Empreendedorismo e tecnologia
A segunda programação do dia trouxe o painel “Inovação sem Filtro: Bastidores e Desafios de Empreendedores em Tecnologia para Corretores”, mediado por Victor Bistritzki, da SOSA, parceira da ENS na TechVillage.
Os debates foram conduzidos por representantes das quatro empresas que participaram da ENS TechVillage: Guilherme Mendes (Flui), Taylane Thomaz (Segbox), Letícia Schettino (Segura AI) e Rodrigo Victor Silva (Hub2You).
Durante o painel, os especialistas compartilharam experiências sobre o desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas ao mercado de seguros. Bistritzki destacou que um dos principais desafios enfrentados pelos corretores está em iniciar o processo de transformação digital dentro de estruturas de negócio muitas vezes construídas ao longo de décadas.
“As grandes dificuldades para o corretor são começar e sair um pouco do sistema que foi construído há muitos anos, olhando para o mercado e se abrindo para novas possibilidades”, observou.


O novo corretor de seguros
Encerrando as atividades do primeiro dia na Sala de Negócios, o professor Celso Brandão apresentou a palestra “O corretor aumentado por IA: como reduzir custos, ganhar escala e competir melhor no dia a dia”.
Ao longo da explanação, Brandão demonstrou como ferramentas baseadas em IA já vêm sendo utilizadas para automatizar tarefas operacionais, organizar dados e apoiar processos de atendimento ao cliente.
O avanço da tecnologia tende a liberar, segundo o especialista, os corretores de atividades administrativas, permitindo maior dedicação ao relacionamento com os segurados e à construção de soluções mais adequadas às necessidades dos clientes.
“A IA tem grande potencial para retirar do corretor aquele trabalho repetitivo, burocrático e de pesquisa que muitas vezes consome muito tempo. Com isso, ele pode se concentrar no que realmente faz diferença: entender as necessidades dos clientes e construir soluções de proteção adequadas”, explicou.


IA para potencializar a corretagem de seguros
O segundo dia da Sala de Negócios da ENS seguiu com novos especialistas da Instituição destacando a relevância da Inteligência Artificial para o futuro da corretagem de seguros.
Dentre as palestras, destaque para a da professora Angélica Carlini, sobre o tema “IA como instrumento e nunca como substituição da inteligência humana”. A docente ressaltou que, apesar do avanço das ferramentas tecnológicas, a IA deve ser vista como apoio à tomada de decisão, e não como substituta da análise humana.
“A resposta do ChatGPT, pago ou gratuito, jamais será o produto pronto e acabado. O produto pronto e acabado é a inteligência humana”, afirmou.

Outro professor da Escola, Samy Hazan, apresentou o conceito “Corretor Orquestrador”. Segundo ele, o uso combinado de dados, plataformas digitais e automação pode ajudar os profissionais a organizarem melhor os processos de venda, aumentar a produtividade e atender mais clientes sem perder o relacionamento personalizado.
“O corretor é o orquestrador, deixando a máquina cuidar das tarefas repetitivas e administrativas enquanto ele se dedica à construção da confiança e à venda consultiva”, explicou.
Palestrante internacional
Além dos debates na Sala de Negócios, a ENS também marcou presença na plenária do 6º ConsegNNE, ao patrocinar a palestra do professor Abel Veiga Copo, da Universidade de Comillas, de Madrid, na Espanha.

Referência internacional e reconhecido como um dos maiores pensadores do mundo sobre Inteligência Artificial, o acadêmico é autor de 135 livros nas áreas de Direito e de Direito aplicado à IA.
No congresso, Abel Copo apresentou a palestra “Impasses da IA”, na qual alertou que um dos principais desafios do momento é a adaptação das pessoas e das organizações às rápidas transformações tecnológicas.
“Estamos assistindo a uma mudança na forma de trabalhar. Mas o ser humano não pode ser substituído por nenhum aprendizado mecânico. Conhecimento e empatia continuam sendo fundamentais”, frisou.

Com informações do CQCS

