Imersão no Canadá: inteligência artificial já transforma rotina dos corretores 

O quarto dia da Experiência Imersiva em Seguros e Tecnologia, promovida pela Escola de Negócios e Seguros (ENS), no início de setembro, teve uma dinâmica diferente dos dias anteriores. Os 27 participantes saíram da sala de aula e se reuniram no Fairmont Royal York, um dos hotéis mais tradicionais de Toronto, para uma programação dedicada a um tema próximo da rotina dos corretores: como a IA pode tornar a operação de seguros mais simples, rápida e eficiente. 

A agenda foi oferecida pela Applied Systems e começou com café da manhã de networking, seguido pela apresentação do sênior vice-presidente da empresa, Steve Whitelaw. 

O grupo no Fairmont Royal York / Crédito das fotos: João Vitor Silva (Comunicação ENS)

Menos digitação, mais inteligência e relacionamento 

O executivo apresentou a estratégia da Applied para incorporar IA ao cotidiano das corretoras. Segundo ele, a empresa já investiu mais de US$ 900 milhões em pesquisa e desenvolvimento, e vem realizando aquisições para ampliar seus recursos de IA. 

Entre as frentes apresentadas, destaque para o conceito “submission less”, que busca eliminar tarefas comuns da rotina dos corretores, como o preenchimento manual em diferentes plataformas de dados repetidos, para cotações junto a seguradoras. A proposta é que a IA faça a leitura e a organização das informações e realize a troca de dados entre os sistemas, deixando o profissional responsável por aquilo que exige análise e decisão. 

A tecnologia também permite interpretar diferentes formatos de documentos, como PDFs, e-mails, imagens e faturas, extraindo informações e inserindo-as automaticamente nos sistemas. 

Para Whitelaw, o objetivo não é substituir o corretor, ao contrário, é desonerá-lo de atividades repetitivas para que possa dedicar mais tempo ao atendimento, à análise e ao relacionamento com o cliente. Em processos críticos, a validação humana continua sendo obrigatória. 

Outro ponto abordado foi a transparência nas relações comerciais. No Canadá, segundo o especialista, corretores de seguros recebem, em média, 20% de comissão, e a legislação de grande parte das províncias exige que o cliente seja informado sobre esse valor. 

Steve Whitelaw

A tecnologia funcionando na prática 

A apresentação seguinte coube a Courtney Brablec, consultora de Soluções da Applied, que explicou como as ferramentas da empresa funcionam no dia a dia de uma corretora. Um dos recursos apresentados foi o AutoFill, que extrai automaticamente informações de arquivos, imagens, planilhas e e-mails, e preenche os campos necessários no sistema. Em vez de digitar cada informação, a equipe só revisa e valida o que foi capturado. 

A executiva também mostrou uma operação integrada de ponta a ponta, que reúne etapas de todo o processo comercial, desde a entrada de uma nova demanda até a emissão e pagamento, dentro do mesmo ambiente, reduzindo a necessidade de planilhas paralelas e de diferentes sistemas. 

Outra solução demonstrada foi o Applied Pay, que envolve cobrança integrada ao ecossistema da plataforma, permitindo o envio automático de links de pagamento aos clientes e, assim, facilitando a conciliação financeira. 

Na gestão de carteiras, a ferramenta Personal Lines Renewal Insights (PLRI) utiliza dados para identificar mudanças em prêmios e riscos nas renovações. Com isso, o corretor pode concentrar sua atenção nas apólices que apresentam maior possibilidade de perda, em vez de revisar toda a carteira da mesma maneira. 

“Quanto mais tarefas operacionais puderem ser automatizadas, mais tempo o corretor terá para atuar onde sua experiência faz diferença”, destacou Brablec. 

Courtney Brablec

Uma corretora com IA autoral 

O encerramento da programação teve uma demonstração próxima da realidade dos participantes. Muqit Aziz, presidente da Brokerunion Insurance, apresentou ferramentas de IA desenvolvidas e utilizadas pela própria corretora. 

A experiência chamou a atenção dos corretores brasileiros, justamente por mostrar que a aplicação da IA não está restrita às grandes empresas de tecnologia. 

Na Brokerunion, um dos recursos apresentados foi o Ask Brokerunion, assistente interno treinado com informações próprias da corretora, como manuais de seguradoras, regras internas e memorandos. A ferramenta funciona como uma espécie de central de conhecimento disponível a qualquer hora. 

Outro sistema, Comet, cruza informações sobre o perfil dos clientes e o histórico de negócios para indicar quais seguradoras podem ser mais competitivas em determinado risco comercial. 

A corretora também utiliza IA no atendimento e no desenvolvimento dos profissionais. Um sistema integrado às chamadas telefônicas acompanha conversas, identifica necessidades do cliente, sugere tarefas de acompanhamento e ajuda a avaliar a qualidade do atendimento. 

A IA participa ainda da auditoria de documentos e da análise da carteira. Por meio de painéis interativos, os brokers conseguem fazer perguntas em linguagem natural sobre retenção, perdas e desempenho dos negócios, obtendo respostas sem precisar navegar por uma série de filtros e relatórios. 

Segundo Aziz, a aplicação da tecnologia não se resume a buscar produtividade. A corretora utiliza os dados para acompanhar mais de perto seus clientes e manter uma rotina de relacionamento com pelo menos três contatos ao longo do ano. 

Muqit Aziz

Clássico canadense 

A programação do quarto dia da imersão terminou com uma experiência tipicamente canadense. A delegação visitou, a convite da Applied Systems, o Hockey Hall of Fame, espaço que reúne a história, os personagens e os principais momentos de um dos esportes mais tradicionais do país. 

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