

O último dia da imersão Experiência Imersiva em Seguros e Tecnologia, promovida pela Escola de Negócios e Seguros (ENS), no início de setembro, encerrou a programação do inédito curso em Toronto, no Canadá. Na sexta-feira, 11, os 27 participantes visitaram o Insurance Institute of Canada (IIC), instituição responsável por qualificar e certificar profissionais do mercado canadense de seguros.
Fundado em 1899 e reestruturado em 1952, o IIC conta atualmente com 25 unidades regionais e atende mais de 40 mil estudantes e profissionais. A entidade oferece certificações como CIP (Chartered Insurance Professional) e mantém parcerias com instituições de ensino, entre elas a Humber Polytechnic.
Profissionais para um novo mercado
Na abertura, o CEO do IIC, Peter Hohman, apresentou a trajetória do instituto e falou sobre um desafio que esteve presente durante toda a semana da imersão: como preparar pessoas para um mercado em transformação.
O IIC realiza pesquisas demográficas sobre a indústria canadense. De acordo com o executivo, a próxima edição, prevista para 2027, analisará os impactos da IA e da automação sobre contratação, retenção de profissionais, empregos e novas competências.
Hohman também apresentou o projeto Reframe, campanha nacional criada para mudar a percepção de que o mercado de seguros é uma carreira “por acaso”, e assim estimular a escolha consciente pela profissão. Paralelamente, o IIC vem incorporando IA às próprias soluções educacionais, buscando tornar a formação mais atual e personalizada.
A mensagem dialogou com um dos debates centrais da imersão: não basta ensinar tecnologia, é preciso preparar as pessoas para utilizá-la bem.
IA potencializa o profissional
A sessão avançou com o diretor de Programas Acadêmicos e Desenvolvimento de Produtos do IIC, John Stathakos. Para ele, a adoção da IA no seguro não deve ocorrer simplesmente porque a tecnologia existe, mas para ampliar a capacidade técnica do profissional, sem abrir mão de ética, julgamento e confiança.
Segundo Stathakos, a IA pode fortalecer competências essenciais para os corretores, como fazer perguntas mais precisas, interpretar dados dentro do contexto, explicar opções de cobertura e aprofundar o relacionamento com clientes.


Humano como responsável
O tema voltou ao centro da conversa com Orvile Andrews, diretor de Inovação e Tecnologia para Aprendizado do IIC. Ao discutir a adoção da IA, ele reforçou um princípio que pautou diversas apresentações ao longo da semana: a tecnologia pode analisar, acelerar e simular cenários, mas a decisão final permanece com o profissional.
Esse cuidado é especialmente importante diante das chamadas “alucinações” da IA. No mercado de seguros, a análise humana continua indispensável para validar informações, comparar coberturas e proteger o cliente de orientações inadequadas.
Andrews também destacou uma aplicação particularmente útil para os corretores: o uso da IA para agilizar a leitura e comparação de grandes volumes de cláusulas e condições de diferentes seguradoras.
Novos riscos pedem novos seguros
A programação tratou ainda das ameaças que vão além da rotina das empresas. Brad Neal, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios do IIC, apresentou cenários relacionados a IA, mudanças climáticas, conflitos geopolíticos, ataques cibernéticos e interrupções de cadeias de suprimentos.
Entre as recomendações discutidas com o grupo estiveram o fortalecimento de seguros de crédito, a revisão de planos de continuidade de negócios e uma maior atenção à localização e à exposição dos riscos dos clientes.
Para Neal, o ambiente de risco está se tornando mais interdependente, ou seja, um problema climático ou geopolítico ocorrido em uma região pode produzir consequências em cadeias produtivas, preços, transporte e negócios em diferentes partes do mundo.


Seguradoras e a IA
Após as palestras dos representantes do IIC, a dinâmica seguinte reuniu o presidente da Berkshire Hathaway, Andrew Knight, a diretora de TI da Markel, Sienna Chen, e o vice-presidente de Claims da Definity, Garvin Mascarenhas, em um bate-papo sobre a utilização da IA dentro das seguradoras canadenses.
Os executivos apresentaram aplicações que já fazem parte de diferentes etapas da operação. A tecnologia ajuda a organizar informações recebidas em propostas, resumir documentos e transcrever atendimentos, reduzindo tarefas repetitivas e liberando profissionais para atividades mais analíticas e consultivas.
Na área de sinistros, a IA vem sendo utilizada para identificar possíveis fraudes, inclusive por meio da análise de documentos e alterações em comprovantes.
Outro ponto discutido foi o acesso à tecnologia. Segundo os palestrantes, a IA pode reduzir a distância entre grandes e pequenas corretoras, oferecendo recursos analíticos que antes estavam mais concentrados nas grandes organizações.
Ao mesmo tempo, os executivos reforçaram a necessidade de políticas claras de governança e treinamento das equipes. O uso inadequado da IA pode aumentar riscos de Erros e Omissões (E&O, na sigla em inglês), especialmente quando informações geradas pela tecnologia não passam por revisão profissional.




Visita e diplomas
No período da tarde, a delegação seguiu em visita à HDI Global, braço de operação da gigante alemã no país.
O grupo foi recebido pelo managing director e chief agent, Klaus Navarrete, ao lado dos executivos Hyann de Souza, brasileiro e senior Risk specialist; Hardik Chugh, Technology architect; Jason Anand, head of Legal and Compliance; e Christine Collins, head of Liability. O time da HDI apresentou aplicações de IA utilizadas em diferentes áreas da operação da companhia.
O final do último dia foi marcado pela entrega dos certificados da imersão, seguida da confraternização de encerramento, no restaurante Public Eatery Adelaide.


