“Melhorar a saúde das mulheres pode adicionar US$ 1 trilhão por ano à economia global”

Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a Escola de Negócios e Seguros (ENS), em parceria com a Sou Segura e Fenacor, promoveu, na última terça-feira, 19 de março, a live “A Economia do Cuidado: O Trabalho Invisível da Mulher”.  

O evento, transmitido ao vivo pelo canal da Escola no YouTube, reuniu a diretora de Ensino da ENS, Maria Helena Monteiro, a presidente da Sou Segura e docente da Escola, Liliana Caldeira, e a vice-presidente da Fenacor, Maria Filomena Branquinho.

Conduzido por Liliana Caldeira, que compartilhou dados sobre a diferença entre homens e mulheres nos ambientes corporativos e domésticos, o encontro também contou com roda de conversa entre as executivas.

Dupla jornada

Durante sua explanação, Caldeira destacou a importância da compreensão da Economia do Cuidado, que se refere ao trabalho doméstico não remunerado realizado pelo público feminino. “Este conceito evidencia a dupla jornada enfrentada por muitas mulheres, que conciliam o trabalho produtivo remunerado com o trabalho reprodutivo e não remunerado no âmbito doméstico”.

Usando como exemplo o cuidado com idosos e pessoas com deficiência, a presidente da Sou Segura mostrou que essas responsabilidades recaem majoritariamente sobre as mulheres, ampliando ainda mais a carga de trabalho não remunerado. “Uma pesquisa divulgada pela Fiocruz, em 2021, revelou que 91% das pessoas cuidadoras são do sexo feminino. Em 94,1% dos casos, são da própria família. Os encargos das tarefas para pessoas com deficiência também são suportados por mulheres”.

Segundo estudo da Oxfam Brasil, apresentado pela docente, até 2050, cerca de um terço da população brasileira dependerá de cuidados especiais, e a maioria desse trabalho será realizado pelas famílias, tendo as mulheres como responsáveis por 85% dessa função. “Essa sobrecarga de responsabilidades impacta negativamente a qualidade de vida das mulheres e subtrai o tempo necessário para o desenvolvimento de atividades atinentes à fruição delas”.

Gender Gap

Outro ponto destacado foi a diferença salarial entre homens e mulheres no mercado de trabalho, conhecido como gender gap, que foi evidenciado pelo estudo da vencedora do Prêmio Nobel de Economia de 2023, Claudia Goldin. Caldeira explicou que a disparidade salarial é influenciada pela maternidade e pela dupla jornada enfrentada pelas mulheres.

“É como se fosse um abismo. São fases na vida da mulher em que ela precisa tomar decisões importantes, como, por exemplo, se deve ser mãe ou não. Até existe uma paridade inicial, porém, após a decisão de constituir uma família, ela cai nesse ‘abismo’ de diferença salarial”, disse.

No Brasil, o gender gap chega a 20,5%, o que significa que, simbolicamente, as mulheres trabalham 74 dias por ano de graça em comparação com os homens. “Essa disparidade não é exclusiva do nosso País, mas sim, uma realidade global, conforme indicado pelo relatório do Banco Mundial, que destaca a falta de igualdade de oportunidades para mulheres em todo o mundo”.

A décima edição desse relatório, publicada em 4 de março deste ano, atesta que nenhum país no mundo oferece às mulheres as mesmas oportunidades que os homens na força de trabalho.

“Das 190 economias pesquisadas, as mulheres desfrutam apenas de 64% das proteções legais que os homens recebem. Existe uma lacuna entre as leis e as políticas postas em prática. Os países estabeleceram menos de 40% dos sistemas necessários para a implementação de normas protetivas. Esta lacuna, se fosse efetivamente transposta, aumentaria o PIB global em mais de 20%, dobrando a taxa de crescimento mundial na próxima década. O mesmo relatório nos mostra que melhorar a saúde das mulheres pode adicionar, pelo menos, US$ 1 trilhão por ano à economia global”, concluiu a docente da ENS.

Para acompanhar a íntegra do bate-papo entre as executivas assista à live especial abaixo pelo Acontece!

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