
Até pouco tempo atrás, uma das principais dúvidas sobre o avanço da tecnologia era se as máquinas seriam capazes de substituir o corretor de seguros. Para a diretora de Ensino da Escola de Negócios e Seguros (ENS), Maria Helena Monteiro, essa já não é mais a pergunta que deve orientar o futuro da profissão. O desafio é entender como a transformação tecnológica irá mudar o próprio corretor.
“Não é a tecnologia que vai substituir o corretor. Hoje a pergunta é outra: que tipo de corretor a tecnologia vai criar, está criando, ou vai trazer?”, questionou a executiva, durante sua palestra “2035: Preparando o Corretor do Futuro”, realizada no dia 28 de agosto, na Sala de Negócios IBDCOR, durante o 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, no Rio de Janeiro (RJ).
Ao olhar para 2035, Monteiro propôs aos congressistas um exercício de projeção baseado em transformações que já estão em curso. Inteligência Artificial, Open Insurance, embedded insurance, uso intensivo de dados, consumidores vez mais digitais, mudanças regulatórias, expansão do mutualismo, riscos cibernéticos e eventos climáticos são alguns dos movimentos que, segundo ela, já alteram a dinâmica do setor.
“O mercado mudou. Mudaram os riscos, mudou o consumidor e, portanto, também precisa mudar o profissional responsável por intermediar a proteção”, disse.
Para ilustrar essa transformação, a executiva citou o comportamento das novas gerações. “O automóvel, por exemplo, deixou de ocupar o lugar que tinha no passado para muitos jovens, que passaram a priorizar serviços de mobilidade em vez da posse de um veículo. Para os corretores especializados exclusivamente em Auto, a mudança de comportamento representa também um alerta sobre a necessidade de diversificação”.
De vendedor a consultor
Nesse novo cenário, o corretor precisa deixar de atuar exclusivamente na comercialização de apólices para assumir um papel mais amplo na identificação, prevenção e mitigação dos riscos de seus clientes. “Ele precisa deixar de ser um vendedor para se tornar um consultor estratégico”, afirmou Monteiro.
A mudança passa por conhecer melhor o cliente e enxergar além dos produtos que ele possui, avaliando de forma mais abrangente os riscos aos quais pessoas e empresas estão expostas, identificando oportunidades de proteção e desenvolvendo soluções adequadas às diferentes necessidades.
Para a diretora da ENS, a diversificação exige capacidade de incorporar novos serviços à atuação profissional, como gestão de riscos, consultoria, educação financeira e previdência, além de explorar segmentos e modelos de negócio que ganham espaço no mercado.

Qualificação como regra
Se o mercado se transforma em velocidade cada vez maior, a capacitação do profissional precisa acompanhar esse ritmo. Maria Helena Monteiro chamou atenção para a inclusão, na Resolução CNSP nº 493/2026, da necessidade de os corretores manterem seus conhecimentos e habilidades atualizados diante das mudanças na legislação, regulação, práticas de mercado e inovações técnicas. “Se não estudarem, não voltarem para a escola e não se atualizarem, vocês vão ficar para trás em muito pouco tempo”, alertou.
Preparação começa agora
Ao final de sua explanação, a executiva mostrou que o corretor de 2035 não será construído apenas pelas tecnologias que estarão disponíveis, mas pelas competências que os profissionais começarem a desenvolver desde já. Nesse processo, a ENS ocupa papel estratégico ao oferecer formações voltadas a diferentes estágios da carreira, desde cursos rápidos, Qualificações Técnicas, Certificações Avançadas, Extensões, Graduações, MBAs e imersões internacionais.
“Vocês têm uma Escola de Seguros, com portfólio que acompanha justamente essas transformações”, afirmou a diretora, ao destacar conteúdos relacionados a IA, gestão de riscos, riscos cibernéticos, inovação, novos modelos de distribuição, mutualismo, cooperativismo, seguros paramétricos e saúde. “A Escola é de vocês, é dos corretores de seguros”, reforçou.
Após a apresentação, Maria Helena participou de uma sessão de perguntas e respostas, que teve mediação do presidente do Sincor-GO, Vinicius Porto, e presença da diretora Comercial da Mapfre, Karine Brandão, do presidente da Bradesco Auto/RE, Rodrigo Bacellar, e do corretor de seguros e presidente do Sincor-RN, Stênio Max.


