O segundo dia do 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, promovido pela Fenacor, pela ENS e pelo Sincor-RJ, foi marcado por debates sobre os caminhos para ampliar a presença do seguro em todo o Brasil, que ainda apresenta baixa penetração e públicos pouco atendidos.
As discussões apontaram a necessidade de ampliar a distribuição, de acompanhar as transformações do consumidor e de preparar o corretor para uma nova realidade. Na parte da manhã, o painel “Inovação em Seguros: Abordagem e Mindset” foi mediado pelo presidente da Escola de Negócios e Seguros (ENS), Lucas Vergilio.

Com foco na transformação dos negócios e no papel da inovação dentro desse processo, a plenária reuniu executivos da Mapfre, Porto e Tokio Marine, além de Bruno Sardinha, Chief Innovation Officer (CIO) da Travelers. Especialista com atuação global, Sardinha esteve no congresso a convite da ENS.
Inovação como estratégia
Com 10 anos à frente das iniciativas de inovação da Travelers, Sardinha defendeu que inovar não significa apenas adotar novas tecnologias, mas compreender como diferentes tendências se combinam e impactam os negócios.
Ao citar as mudanças climáticas, por exemplo, o executivo destacou que os efeitos desse fenômeno precisam ser analisados em conjunto com fatores como migração e crescimento populacional em regiões mais expostas a eventos extremos. “Não adianta olhar um episódio de forma isolada. É muito importante que se olhe como esses eventos se combinam, convergem e estão interconectados”, afirmou.
Para o especialista, a inovação também precisa estar diretamente ligada à estratégia da empresa e permear diferentes áreas da organização, em vez de ficar restrita a um departamento específico. “A inovação não pode ser algo separado ou isolado, ela tem que fazer parte do negócio e estar diretamente ligada às estratégias da empresa”, frisou.
Outra recomendação do palestrante foi a necessidade de agir hoje para construir o futuro. “Qualquer coisa que você imagine para acontecer daqui a três anos, você tem que começar a tomar ação agora, porque leva muito tempo até chegar lá”, disse.
Ao citar iniciativas da Travelers, Sardinha enfatizou a aproximação com startups, a realização de experimentos e a disseminação de conhecimento internamente. A companhia se relacionou com mais de 500 startups no último ano, e a IA também passou a ser utilizada para acelerar pilotos e testar soluções com mais rapidez e menor custo.
Corretor no centro da transformação
Lucas Vergilio conectou a discussão sobre inovação à realidade dos profissionais que estão na ponta da distribuição. Para o presidente da ENS, educação continuada, acesso a ferramentas tecnológicas e integração com as seguradoras são fundamentais para que o corretor acompanhe as transformações do mercado.
“É preciso ter acesso a ferramentas inovadoras e de custo acessível. Por isso que a ENS selecionou, junto com a SOSA, empresas que fornecem tecnologia, inovação e custo para vocês, corretores de seguros”, afirmou, convidando os congressistas a conhecerem as soluções apresentadas na ENS TechVillage, o estande da Escola no congresso.
Vergilio também ressaltou a importância da aproximação entre corretores e seguradoras. “O corretor precisa sempre dialogar, interagir e alinhar essas ferramentas com a tecnologia das seguradoras. Eu não tenho dúvida de que essa é a receita do sucesso”, destacou.
Regulação e futuro da corretagem

No terceiro e último dia do congresso, a ENS teve representantes em dois importantes debates, sobre ambiente regulatório e novas possibilidades de distribuição. No painel “Autorregulação e PDMIS – A ponte para o futuro do corretor de seguros”, o consultor de Projetos Especiais da Escola, Augusto Cardoso, mediou a conversa sobre qualificação, modernização regulatória e transformação da atividade.
Um dos debatedores do painel, o economista Claudio Contador, que já foi diretor-geral da ENS, apresentou o Plano Diretor do Mercado da Intermediação de Seguros (PDMIS), documento que norteia os corretores de seguros, entre outros aspectos, para uma atividade mais diversificada.
Segundo dados apresentados por Contador, o Brasil reúne quase 150 mil corretores de seguros e movimenta entre R$ 52 bilhões e R$ 55 bilhões por ano em receitas com intermediação.
Mais do que dimensionar o mercado, o PDMIS aponta para a ampliação da atuação do corretor além da venda tradicional, com oportunidades em consultoria, gestão de riscos e outros serviços. Nesse cenário, a qualificação tem papel central.
“O papel de consultor exige uma qualificação que não seja apenas para vender. O corretor tem condições de atuar no atendimento, na consultoria, na auditoria e em uma série de outras atividades dentro das empresas e das famílias”, afirmou Contador.
Augusto Cardoso também conduziu o debate sobre a autorregulação, que contou com a participação dos diretores da Susep, Marcilio Otavio Nascimento e Júlia Normande Lins, além da presidente do IBRACOR, Maria Filomena Branquinho.
Novos mercados, novas oportunidades


A participação da ENS nas plenárias terminou com o painel “Novos Mercados de PPM e Cooperativas de Seguros”, mediado pelo assessor da Presidência da Escola, Marcelo Rocha. O painel reuniu Carlos Queiroz, diretor da Susep; Hugo de Castro Andrade, da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB); e Marco Antonio Gonçalves, conselheiro da MAG e presidente do Fórum Mário Petrelli.
Na avaliação de Queiroz, o novo ambiente regulatório poderá contribuir para ampliar significativamente o mercado brasileiro. “O setor de seguros brasileiro poderia ser três vezes maior”, afirmou.
Segundo o diretor da autarquia, a regulamentação de novos modelos de proteção pode ajudar a conquistar públicos que estão fora do mercado tradicional. Para os corretores, porém, a expansão exigirá preparação para compreender as diferenças entre seguros, proteção patrimonial mutualista e produtos oferecidos por cooperativas.
A avaliação foi reforçada por Marco Antonio Gonçalves, que defendeu a entrada de novos modelos para ampliar o escopo de atuação dos corretores. “O corretor passa a ser a pessoa central na decisão de negócios. Se ele já era importante, agora passa a ser fundamental nesse processo”, frisou.
Gonçalves também destacou o potencial das cooperativas para ampliar a proteção em segmentos ainda pouco explorados, como o Seguro Rural, e finalizou com uma recomendação direta aos profissionais: “Não percam tempo, se preparem”.
Com informações da Revista Apólice.

