Imersão no Canadá: o uso da IA com segurança 

Participantes da imersão Canadá da ENS no campus norte da Humber, o Barrett Centre for Technology / Crédito das fotos: João Vitor Silva (Comunicação ENS)

O terceiro dia da imersão Experiência Imersiva em Seguros e Tecnologia, da Escola de Negócios e Seguros (ENS), levou os 27 participantes ao campus norte da Humber: o Barrett Centre for Technology. 

Após conhecer características e desafios do mercado canadense de seguros, a delegação teve contato com a infraestrutura que faz a IA avançar de forma segura, confiável e responsável. Cibersegurança, dados, conectividade, governança e formação profissional foram os principais temas da programação. 

Risco invisível e crescente 

A primeira apresentação foi conduzida por Kelly McGuinness, líder nacional de Desenvolvimento em Cibersegurança e Tecnologia da maior seguradora de seguro cibernético do Canadá, a CFC. A executiva apresentou o cenário das ameaças digitais no país, as tendências do seguro cyber e os novos riscos associados ao avanço da IA. 

Cerca de 50% dos clientes de seguro cibernético em todo território canadense são da CFC. A companhia possui mais de 1,5 bilhão em prêmios emitidos, está presente em 90 países e possui aproximadamente 150 mil clientes. Apesar dos números expressivos e da expansão do risco, apenas 10% das empresas canadenses possuem essa cobertura. 

Segundo McGuinness, o cenário é ainda preocupante para pequenas e médias companhias. No Canadá, 90% dos negócios são SMEs (small and medium-sized enterprises) e, de acordo com um dado global apontado, mais de 60% dessas empresas sofrem ataques cibernéticos. “Isso evidencia a dimensão de um problema que deixou de estar restrito a grandes corporações”, comentou. 

No entanto, o cenário, para ela, é auspicioso para os corretores de seguros, pois desempenham função importante de orientação, suporte e educação do cliente, ajudando-o a compreender e a se preparar dos riscos. 

IA confiável só com dados confiáveis 

O gerente de Operações de Negócios do Centre for Study of Insurance Operations (CSIO), Simon Pang, fez a segunda apresentação do dia, na qual aprofundou o debate sobre padrões de dados, conectividade digital e preparação para a IA. 

O CSIO é uma organização sem fins lucrativos que trabalha para melhorar a comunicação entre corretoras e seguradoras no Canadá. Para isso, ajuda o mercado a estabelecer padrões que permitam que diferentes sistemas conversem entre si. A ideia é simples: não adianta ter uma tecnologia avançada se as informações usadas por ela não forem confiáveis. 

Pang mostrou como esses padrões facilitam a troca de dados entre corretoras e seguradoras e ajudam a tornar processos mais rápidos. As chamadas APIs (Application Programming Interfaces), por exemplo, permitem que diferentes sistemas troquem informações automaticamente, reduzindo etapas, tornando as operações mais eficientes, acelerando processos e melhorando a capacidade de resposta das corretoras.

O desafio de colocar regras na IA 

A última apresentação coube ao vice-reitor de Ciências e Tecnologia da Humber, Francis Syms. O docente aprofundou a discussão sobre como utilizar a IA sem deixar de lado questões como responsabilidade, privacidade, proteção de dados, vieses e supervisão humana. 

Syms apresentou a estratégia canadense para IA em 2026. Segundo ele, o país prevê fechar o ano com investimento de cerca de 1 bilhão de dólares locais na área, e firmou parcerias com empresas e iniciativas para preparar a população para as novas tecnologias. 

Esse movimento inclui acordos com empresas e ações de formação e educação em IA para diferentes faixas da população, das escolas aos profissionais e pessoas mais velhas. A proposta é preparar os canadenses não apenas para utilizar as novas tecnologias, mas também para compreender seus impactos e participar de sua construção. 

Da teoria à prática 

Depois das apresentações e do almoço no campus, os participantes conheceram projetos desenvolvidos no Barrett Centre for Technology. A visita foi conduzida pelo vice-reitor, Francis Syms, e pelo professor da Humber, Ali Owayid. 

Nos laboratórios e espaços da instituição, a delegação teve acesso a aplicações de IA, automação, robótica e segurança digital. Entre os projetos apresentados estavam tecnologias de identificação por sinais biométricos, soluções para monitorar idosos com problemas de memória, experiências de transmissão de sinal, recursos educacionais com Lego, quebra-cabeças e desenhos, futebol de robôs e iniciativas de automação industrial. 

A comitiva também conheceu trabalhos relacionados a segurança digital, incluindo preparação para testes de invasão (penetration tests), utilizados para identificar vulnerabilidades em sistemas.

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