Por Diego Maia, palestrante de vendas e CEO da CDPV Companhia de Palestras
O resultado das eleições define um novo ciclo político no Brasil. Entre expectativas econômicas, consumidores cautelosos e mudanças no mercado, corretores de seguros precisam se preparar para os próximos quatro anos, afirma Diego Maia
A eleição acabou. Os boletos não. Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente da República. O Brasil segue dividido politicamente, mas milhões de profissionais acordaram nesta segunda-feira com as mesmas preocupações de antes: conquistar clientes, pagar contas, cumprir metas e fazer seus negócios prosperarem.
Para o corretor de seguros, a realidade não é diferente. Independentemente das preferências políticas, existe uma pergunta importante: o que esperar dos próximos quatro anos para quem depende da comercialização de seguros?
A resposta passa, inevitavelmente, pelo comportamento da economia. Juros elevados, endividamento das famílias, inflação, tributação e poder de compra influenciam diretamente as decisões dos consumidores. E, quando o dinheiro fica curto, muitas pessoas começam a rever suas despesas, inclusive aquelas destinadas à proteção financeira.
O problema é que os riscos não desaparecem quando o orçamento aperta. O automóvel continua sujeito a acidentes. O imóvel permanece exposto a imprevistos. As empresas continuam enfrentando riscos operacionais. E as famílias seguem precisando de segurança financeira.
É justamente nos momentos de incerteza que o valor da proteção precisa ser melhor compreendido.
O mercado pode crescer. Mas a sua carteira não crescerá sozinha.
Existe um aspecto positivo no cenário atual. Segundo dados da Susep, os seguros de danos e pessoas, excluindo o VGBL, registraram crescimento nominal de 6,30% entre janeiro e agosto de 2026, alcançando R$ 154,65 bilhões em receitas.
O mercado continua apresentando oportunidades. Entretanto, o crescimento de um setor não garante o sucesso de todos os profissionais que nele atuam.
Em mais de duas décadas dedicadas ao desenvolvimento de equipes comerciais, com mais de 1.800 palestras realizadas, aprendi que empresas submetidas a condições econômicas semelhantes podem apresentar resultados completamente diferentes.
A explicação muitas vezes está na qualidade da gestão comercial. Como sempre mostro em meus treinamentos e palestras de vendas, o corretor que depende exclusivamente de indicações espontâneas, trabalha sem uma rotina de prospecção e procura seus clientes apenas na época da renovação fica mais vulnerável à concorrência.
Especialmente quando o consumidor passa a pesquisar mais, comparar propostas e questionar preços. Nessas circunstâncias, vender apenas pelo menor valor pode comprometer a rentabilidade e enfraquecer a percepção do serviço prestado.
O cliente não quer simplesmente um seguro barato. Ele quer ter certeza de que está fazendo uma boa escolha para proteger aquilo que conquistou.
Reclamar da economia não é uma estratégia comercial
É evidente que as decisões do governo podem facilitar ou dificultar a atividade empresarial. A política econômica influencia o consumo, os investimentos, o crédito e a disposição das famílias para assumir novos compromissos financeiros.
Por isso, o novo mandato de Lula deverá ser acompanhado com atenção pelo mercado segurador. Mas existe uma diferença entre compreender o ambiente econômico e permitir que ele paralise os negócios.
Enquanto alguns profissionais concentram sua energia nas discussões políticas, outros estão prospectando novos segurados, revisando suas carteiras, fortalecendo relacionamentos e identificando oportunidades.
A inteligência artificial, a digitalização dos canais de atendimento e as novas expectativas dos consumidores também continuarão transformando o mercado, independentemente de quem esteja na Presidência.
O corretor precisará combinar conhecimento técnico, capacidade de negociação, tecnologia e relacionamento humano. Não basta conhecer produtos e coberturas. Será cada vez mais importante saber apresentar soluções, comunicar valor e construir confiança.
Reclamar da economia não é uma estratégia de vendas. Esperar que ela melhore, também não.
A eleição passou. O trabalho continua.
Os próximos quatro anos poderão trazer oportunidades e desafios ao mercado de seguros. Ainda é cedo para determinar seus efeitos sobre o consumo e a atividade comercial.
O governo terá a responsabilidade de conduzir a economia. As instituições do setor continuarão trabalhando pelo desenvolvimento do mercado e pela qualificação de seus profissionais.
Mas cada corretor também precisará assumir o protagonismo de sua trajetória. O cliente continuará precisando de proteção. As famílias continuarão expostas a riscos. E as empresas continuarão necessitando de soluções que contribuam para a continuidade dos seus negócios.
A grande questão é quem estará preparado para conquistar e preservar a confiança desses consumidores. Depois de mais de duas décadas trabalhando com vendas, tenho uma convicção: os momentos difíceis não tornam os bons profissionais menos necessários. Tornam sua competência ainda mais importante.
O governo mudou de ciclo. Os desafios comerciais continuam. E esperar não é uma estratégia de vendas.
Porque, independentemente de quem esteja no Palácio do Planalto, existe uma verdade que não muda: onde tem venda, tem vida.

Diego Maia é palestrante de vendas, escritor com oito livros publicados — dentre eles 7 Princípios da Venda — e fundador da CDPV Companhia de Palestras. Desde 2003, é presença constante em convenções de vendas e eventos corporativos, com foco no desenvolvimento de equipes comerciais, treinamento de vendas e alta performance — somando mais de 1.800 palestras realizadas e 500 mil profissionais treinados no Brasil e no exterior. Apresenta o Podcast de Vendas do Diego Maia, publicado diariamente desde 2009, sempre às 7h, com mais de 2.000 episódios. Desde 2011, lidera o movimento #SouDeVendasComOrgulho, pela valorização e profissionalização de quem vive de vendas no Brasil. Seu slogan é “Onde tem venda, tem vida”.

